
—E se a extinção das espécies também estivesse programada no seu DNA, da
mesma forma que a morte do indivíduo está?!
Esta pode
ser uma das mais incômodas perguntas que o ser humano poderia se fazer, e no
entanto ele não pode honestamente se furtar a ela, nem que seja movido pelos
fatos concretos.
Convivemos
afinal com o fantasma de um sem número de espécies extintas, algumas até
bastante evoluídas. Um dos exemplos mais impactantes de extinção é aquele
dos dinossauros, os grandes répteis do passado cujo desaparecimento até hoje
desperta debates acirrados. Tal como a extinção da megafauna em data já muito
mais recente contada em poucos milagre de anos. E é claro, várias espécies homo
nossos antepassados e que foram todas extintas, apesar de muitas delas terem deixado
pegadas em nosso DNA.
Em última
análise, as espécies estariam programadas dentro do mecanismo de seleção
natural que lhe trazem não apenas provas cotidianas de sobrevivência, como
também provações de monta maior periodicamente, e num ápice até mesmo supremas
como foram as cinco grandes extinções em massa já havidas no planeta. A própria
humanidade já sobreviveu a processos de extinção bastante radicais, promovidos
seja pela própria Natureza como também por motivos culturais auto-deliberados
como guerras, ampliados por epidemias e fome. A evolução que existe hoje no
planeta é o resultado de tudo isto. Nem tudo se perdeu nestas crises todas,
muita coisa também se transformou. Hoje inclusive se anuncia que a própria
humanidade está novamente impulsionando um grande quadro de extinção em massa,
e de proporções inéditas.
De modo
que o assunto necessita ser encarado corajosamente. As mesmas forças que
organizaram as espécies numa dada sobra do tempo, sabe que as mesmas espécies
poderão não sobreviver à próxima esquina temporal. É mesmo assim os esforços
pela vida e pela evolução valem a pena.
Até porque, as verdadeiras respostas poderiam estar num plano mais filosófico - especialmente naquilo que se refere à própria humanidade. E isto nos coloca naturalmente diante dos dilemas da morte e das buscas por respostas diante do seu desafio. A vida segue sendo um mistério que parece pairar para além das dimensões manifestas.
O verdadeiro peso do Antropoceno
Estamos todos razoavelmente familiarizados com as causas ambientais, que são ademais muitas, mas ainda tratam de questões que permitem uma gestão por parte da sociedade organizada. Aquilo que ninguém diz, é de tudo aquilo que já existe de acumulado em função da história da revolução industrial, ou o verdadeiro peso e risco que acarreta o chamado Antropoceno (esta idade geológica atual criada pelo próprio ser humano) para a segurança da humanidade mesma. Com efeito, o discurso da ecologia tem sido superficial diante do gravíssimo quadro de insegurança ambiental legado pela revolução industrial até os dias de hoje.
Acontece que, se houvesse um colapso civilizatório comprometendo a manutenção dos sistemas industriais e das minas em geral e seus rejeitos, pouquíssimas áreas do planeta ainda permaneceriam seguras. E nem estamos falando aqui do acirramento da crise ambiental por causa do avanço do curso atual da civilização, que tendem a produzir uma nova extinção em massa da vida no planeta, porque no caso de um colapso das estruturas alguns destes índices até poderiam melhorar.
Estima-se que diante de um súbito colapso dos sistemas modernos, entre 80% e 90% da população mundial poderia perecer nos primeiros meses e anos após a queda das estruturas globais, empurrando a humanidade de volta aos níveis demográficos anteriores à Revolução Industrial. Esse índice drástico de mortalidade não seria causado diretamente pelos acidentes ambientais ou industriais isolados, mas sim pela quebra imediata daqueles pilares que sustentam artificialmente a vida moderna, como rede elétrica, sistemas de saúde e agricultura industrial. Daí a necessidade da humanidade começar urgentemente um processo de decrescimento e de desindustrialização preventiva.
Estima-se hoje que quatro possíveis causas poderiam provocar um tal colapso da segurança industrial e da manutenção dos resíduos no planeta, a saber e por ordem de gravidade: uma Tempestade Solar Extrema (Efeito Carrington), uma Guerra Cibernética Sistêmica ou IA Hostil, o Colapso Financeiro Global e Falência dos Estados, e uma Pandemia de Altíssima Mortalidade ou Guerra Global. Muitas destas ameaças realmente assombram a humanidade em nossos dias. E diante de quaisquer destes cenários, as pequenas comunidades sobreviventes precisariam focar em protocolos analógicos de monitoramento, defesa hidrológica e compartilhamento de conhecimento técnico.
Será que esta situação medonha também está no DNA humano? Certamente está em sua faceta mais material de fomento tecnológico crescente e descontrolado. E aqui vale lembrar a famosa frase de Michel Houellebecq: “De todos os sistemas econômicos e sociais, o capitalismo é incontestavelmente o mais natural. Isto já basta para indicar que deverá ser o pior.” (“Extensão do Domínio da Luta”) O materialismo vai de carona aqui, porque o marxismo foi uma resposta ao capitalismo. A grande questão aqui, é a que humanidade tem a opção de afastar-se destas cosmovisões limitadas e abrir portas em outras dimensões, revelando a sua superior capacidade criadora.
Um novo salto da evolução
Pode ser bastante difícil admitir que o mundo caminha para a entropia ou a desordem prevista pela Segunda Lei da Termodinâmica, mesmo que hajam forças diversas dedicadas ao contrário. Ainda que esta não seja exatamente uma novidade: a religião judaico-cristã fala do Pecado Original, e os gregos denunciavam que a humanidade está sujeita à hybris, que é o exagero e o desequilíbrio. Certamente muitas outras tradições assinalam o mesmo, apontando respostas que muitas vezes serão apenas lenitivos e desaguando em profecias de fim-de-mundo. Mas que tampouco admitem um final absoluto e sim uma crise aguda seguida por renovação, tal como tal acontecido muitas vezes na humanidade e com impactos tremendos, de tal monta que devemos até mesmo grande parte de nossa evolução a tais crises periódicas.
De algum modo, estaria escrito no DNA da humanidade, que ela está
fadada a passar pelo fogo da purificação e nele se extinguir para este mundo. E
se ela não fizer isto por bem, terminará irremediavelmente fazendo por mal. A
religião teria lhe preparado para tal, ao menos teoricamente, já que na hora H
poucos é que deverão realmente atender a este chamado do destino de uma forma
realmente maiúscula e mais plena.
Ocorre
que, em algumas espécies mais evoluídas os riscos de extinção tem impulsionado
estágios de evolução para além dos naturais e até dos materiais. A própria
ideia ou percepção da finitude incentiva as espécies superiores a buscar
respostas para postergar ou contornar de algum modo estas situações. Uma
primeira solução está naturalmente no fomento da tecnologia, visando melhores
as condições de sobrevivência. Porém isto ainda não representa uma solução
completa, na medida em que a morte sempre termina por se impor. Para avançar nas
respostas é preciso buscar caminhos também em outros planos, quer dizer:
explorar os próprios mundos onde a Alma poderia viver e ampliar as capacidades
da consciência para viver neles.
Biologicamente
o ser humano estaria condenado dentro de um plano de extinção semelhante ao das
outras espécies. Porém, ontologicamente ele é capaz de buscar portas de
salvação através da sua criatividade - tal como também busca fazer
Intelectualmente através do fomento da tecnologia. Sem estas
possibilidades, a aceitação da extinção não passaria de um pobre ensaio de
realismo trágico.
Tudo isto
se destinaria, pois, a pressionar as espécies a olhar para o Além e para a
imaterialidade final em busca de respostas possíveis. De outra forma os
esforços necessários a uma verdadeira transcendência jamais seriam alcançados.
Haveria então tarefas mínimas a serem realizadas nesta direção, e os melhores
alcançariam reencarnar em novas espécies, aptas a sobreviver em
condições mais desafiadoras do planeta - a menos que já alcançasse uma evolução
ainda superior e a reencarnação ja não lhe fosse mais necessária.
Não
obstante, a extinção das espécies também estaria estritamente associada com a
evolução das coisas, recebendo o impacto da aceleração do tempo ou do avanço
das tecnologias manejada pelas espécies conscientes - por assim dizer. A marca
da aceleração se faz assim presente no ritmo crescente da extinção das
espécies. Algumas exceções teriam ocorrido como nos casos do Australopithecus
afarensis e do Homo Erectus, os quais provavelmente reuniriam
características especiais e seriam quiçá uma espécie de tronco-raiz para as
evoluções paralelas.
E aqui
temos um fator sensível para a nossa espécie, situada nos momentos finais do presente
Manvantara. Temos apenas 200 mil anos ou 500 mil considerando os mais próximos
como os Cro-magnon e os próprios Neandertais. Espécies anteriores alcançaram
longevidade ainda bem maior. Acontece que estamos num estágio mais avançado da
evolução e do Manvantara onde os ciclos são menores e as energias mais concentradas
- maior tecnologia, mais conhecimentos, maior população, etc. Por isto os
prazos da evolução atual também deverão ser menores. Nossos processos são mais
rápidos porque somos herdeiros das conquistas de outras espécies extintas,
cujas tecnologias por vezes aprendemos a usar melhor ou com maior eficácia.
Para
aprofundar ainda mais a questão filosófica, temos que a evolução espiritual
humana culmina na quarta iniciação - qualquer evolução ulterior toca às
Hierarquias superiores com funções especiais e não representa parte da
humanidade e seus coletivos. Ora, somos informados que vivemos na atualidade
sob vários quaternários - quarta ronda, quarto Globo, etc. Este fato
colocaria a própria humanidade no umbral da sua conclusão evolutiva, rumando em
conjunto para uma grande crise coletiva de quarta iniciação.
Há indícios de que situações semelhantes tenham acontecido em outros planetas. Podemos nos perguntar como é a que as “maravilhosa” Inteligência Artificial não conseguiu nunca vencer a distância entre planetas habitados? Criando naves não tripuladas por exemplo (que seria uma das soluções para isto)? Parece que a extinção das espécies avançadas aconteceu antes disto ser possível. Estas são considerações recorrentes nas reflexões dos cientistas a respeito do destino das civilizações extra-planetárias.
A superação do materialismo
Certas
pessoas resistem a pensar na abreviação da evolução humana, imaginando que o
ser humano precisa de muito tempo para evoluir. Acontece que algumas doutrinas
levam realmente a pensar que existe um Plano excelso para cada criatura humana
e até não humana, destinado a culminar na avatarização de todos os seres. No
entanto esta pode ser apenas uma idealização da evolução espiritual humana.
Talvez as Altas Iniciações estejam vinculadas a serviços planetários em prol de
humanidades, não sendo necessário que todos se alistem neste tipo de missão
sacrificada.
Como
ensina o Budismo, a liberação humana não pede mais do que quatro iniciações
para emancipar a consciência do indivíduo. A partir dali ele pode seguir como
uma Alma livre sem precisar reencarnar. Se desejar evoluir mais poderá realizar
serviços de forma incorpórea mesmo ou senão reencarnar para assumir funções
superiores no planeta. Não são necessários muitos individuais para isto, porque
o impacto destas missões é sempre muito forte no planeta. O ser humano precisa
aprender a considerar que, a parti de certa iniciação, ele já não necessita
obrigatoriamente de formas físicas para existir e sequer para evoluir.
O tema da
extinção é incômodo para a grande maioria porque o apego à matéria é sempre
muito forte. O materialismo é a verdadeira limitação do entendimento dos planos
de Deus. E o grande paradoxo daqueles que acreditam em reencarnação e vida em
outros planetas, é que o seu próprio materialismo poderia impedir na prática de
preparar-se para estas possibilidades, caso os esforços suficientes não sejam
realizados nesta vida.
Porque é
que os ensinamentos dos grandes Mestres nunca falaram sobre reencarnação?! É
porque tal crença pertença já à subcultura espiritual das religiões. São temas
acessórios que não se sustentam sem uma espiritualidade suficiente.
Não
obstante, o conhecimento mais fundamental dessa existência, é que a encarnação
física deve representar uma preparação para futuras existências incorpóreas.
Aquele que ainda não despertou para esta realidade dorme no sono da ignorância,
movido seja pelo ceticismo, pela ilusão ou pela crendice.
Há várias crenças em mundos futuros em escrituras tradicionais, mas nada impede se tratar apenas de uma transição ou uma preparação para a definitiva transcendência deste mundo sob a guia direta dos Mestres. Afinal os cenários que os fatos sugerem para o futuro deste planeta podem não ser nada alvissareiros.
Cabe destacar não obstante que isto não nos colocaria dentro do rol dos derrotistas e nem mesmo dos fatalistas radicais, e sim sob um realismo cético sobre as capacidades humanas de se auto perpetuar na matéria, mas com esperanças espirituais. Há místicos céticos que transferem o seu derrotismo para a crença em supostas naves redentoras. Para nós a única esperança é a própria iluminação espiritual. E nisto estamos apenas ampliando para o coletivo algo que já é tradicional no indivíduo.
Zonas defensas e futura Capital
Considerando que admitimos a necessidade de haver uma transição, até
para que um quadro de evolução espiritual ou liberação humana seja devidamente
organizado, se faz necessário projetar os modelos de sobrevivência que não
prescindem tampouco de identificar aquelas zonas mais seguras.
Como nada é casual e tudo está interligado, encontraremos várias
conexões com “profecias” e planejamentos civilizatórios que temos manifestado
ao longo das últimas décadas.
Modo geral, seria possível mapear várias zonas seguras diante de um
quadro total de colapso civilizatório. Geralmente são zonas elevadas em
planaltos ou áreas montanhosas. Aparentemente, e não casualmente, muitas delas
encontram-se na América do Sul. De um modo ou de outro, e apesar de haver muita
exploração do Continente, ainda existe uma relativa segurança em relação aos
avanços civilizacionais mais deletérios. Estudos indicam que uma região em
especial se destaca neste aspecto em todo o mundo, que é o chamado Escudos das
Guianas, uma zona muito ampla de 2,7 milhões de quilômetros quadrados. Trata-se
de uma das maiores e mais contínuas formações geológicas estáveis do planeta,
estendendo-se por seis países da América do Sul.
Toda a zona é banhada pelas águas mais seguras que descem das elevações
deste grande escudo cristalino, e cuja geografia se destaca pela presença dos
majestosos tepuis (e neles as cachoeiras mais altas do planeta), envolvendo
zonas elevadas e também as cadeias montanhosas mais altas do Brasil nas
fronteiras norte do estado do Amazonas e de Roraima. Há ali muitos rios de água
escura ácida como o Rio Negro tingido pela decantação da rica vegetação do
entorno e que impede a proliferação de insetos, enquanto preserva a sua
piscosidade.
Num mundo em crise, que certamente está chegando a passos céleres, a
humanidade olhará com muita atenção para esta região, até em função da
necessidade da sua preservação e restauração. O Brasil por sua vez, que tem 60%
de sua área dentro da Amazônia legal, tampouco ficará indiferente quanto a
marcar fortemente presença nesta região, e pensará até mesmo -seguindo uma
tradição histórica de sua formação- em criar uma nova Capital Federativa ali.
Ora, temos estudos bastante consistentes sobre estas tendências
nacionais, confluindo com um amplo quadro planetário e internacional. As
mudanças históricas das Capitais brasileiras sempre ocorreram atreladas a
tendências socioculturais planetárias. A futura capital brasileira seria nesta
sequência implementada na Região Norte, e desta vez para firmar uma nova etapa
religiosa da Civilização brasileira, numa época em que, bem ou mal, esta também
será uma tendência mundial.
Vale observar algumas questões esotéricas também aqui. Inicialmente, a
Nova Era de Aquário estará chegando dentro de uns 150 anos, que é quando deverá
se consolidar esta nova Capital (muito embora as sementes desta etapa futura
estejam sendo agora implantadas). Além disto, a etapa religiosa deste novo
mommentum do país e do mundo confluirá com o teor espiritual da nova raça
quaternária em ascensão nas Américas. Tudo isto soma, é claro, em favor dos
valores que a própria crise planetária deverá estar fomentando, em prol de uma
superação do materialismo cultural.
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Sobre o Autor
Luís A. W. Salvi (LAWS) é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV.









