A Teosofia em geral tem uma forte influência nos novos ensinamentos, especialmente em suas vertentes históricas centralizadas em Helena P. Blavatsky e sua sucessora espiritual Alice A. Bailey. Porém, dentro das revelações do Plano da Hierarquia, procura-se hoje dar uma cor mais “científica” ao tema, tratando basicamente de retirar os véus remanescentes, além de apurar sínteses e agregar idéias complementares, como seria a questão social e a própria espiritualidade e iniciação. Esta é a origem da “Teosofia Científica”, uma doutrina promissora que trabalha basicamente com a Ciência dos Ciclos. Uma Teosofia Científica reuniria -nada mais e nada menos- que os dois pólos extremos do conhecimento (espiritualidade e ciência), preenchendo daí todo o leque do humano saber.

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terça-feira, 11 de maio de 2010

O “Dia do Juízo”


Os grandes acontecimentos presentes no decurso das Rondas estão relacionados ao que se chama de o “Dia do Juízo”. Pois, como tem sido divulgado desde a época dos grandes autores teosóficos, o tema do “Juízo Final” pode ser focalizado desde o ângulo da Astrologia Esotérica, compreendendo nisto, na verdade, diversos níveis de “Juízos”, sendo os mais importantes aqueles que acontecem no centro e no final das Rondas, assim como no final dos ciclos internos dos “Reinos” a elas conectados, embora existam juízos menores, raciais, sociais e até individuais.

A literatura escatológica usa muito a expressão “Dia do Juízo”. Neste caso, a expressão “Dia” não significa necessariamente o dia solar de 24 horas do calendário humano. De fato, este “Dia” seria antes simbólico, isto é, divino, como no “Dia do Senhor”, do qual o Sábado ou o Domingo são quase símbolos. Não obstante, representam uma indicação preciosa sobre a posição do “Dia” em questão, que naturalmente se situa no final de um ciclo. Por isto a cabeça do dragão emite água ou fogo quando chega este Dia. Ao “Dia” divino são atribuídos eventos especiais cuja magnitude necessariamente envolve muito tempo, talvez o suficiente mesmo para abran­ger o montante de fatos narrados no Apocalipse.
Encontramos referências, por exemplo, que “para Deus um dia é como mil anos e mil anos é como um dia” (II Pedro 3,8). Ainda mais importante é a referência existente no Genesis à Criação do mundo em “Sete Dias”: sete milênios, ou sete Eras são ciclos de importância.

Cada ciclo concebe uma espécie de “Juízo” no seu final, e a importância desta provação é proporcional à natureza do ciclo em questão. O importante é compreender que cada “Juízo” corresponde à uma espécie de iniciação –isto é, se tiver como resultado o sucesso, ou para aqueles que o alcançarem–, e no conceito tradicional de “Juízo”, se tratam geralmente de crises e de iniciações coletivas. De outra forma, durante a evolução do indivíduo, cada fase espiritual também culmina num “juízo”, isto é, numa prova ou drama iniciático particular.
Em cada ciclo, as etapas mais críticas são a etapa central e a final –sendo esta última também a inicial do ciclo seguinte. Além disto, existem os juízos especiais relativos à natureza particular de cada ciclo.

A fase central apresenta uma mudança de teor psicológico, por assim dizer, sem alterar a natureza do ciclo; relaciona-se antes à questão das polaridades inerentes ao ciclo em si –tal como na dualidade Manvantara & Pralaya–, alterando basicamente a ênfase entre forma e essência. Já a etapa final acarreta numa transformação de fato espiritual e demanda uma mudança real de energia, pois se trata de galgar todo um novo degrau evolutivo. Quanto ao juízo especial, depende da posição estrutural que ocupa um ciclo dentro do esquema maior no qual se acha inserido.

Exemplos de “Juízo” Cósmico

Podemos citar como exemplo de Juízos, alguns dos grandes eventos ocorridos no decurso das Rondas, que recebem muita divulgação nos mitos e nas profecias. Os juízos das Rondas são considerados os mais importantes (é dele que trata o “Juízo Final” bíblico, por exemplo), porque neles se estabelecem as crises dos Reinos da Natureza; qualquer coisa que ultrapasse isto supera amplamente a nossa capacidade prática de imaginação.

Neste caso, um grande juízo especial aconteceu na ocasião do encerramento do portal evolutivo para o reino animal, durante a terceira raça-raiz desta IVª Ronda planetária, ou seja, na raça Lemuriana. Isto ocorreu porque havia chegado o momento de afirmar de forma positiva a verdadeira natureza desta Ronda, ou seja, de iniciar a consolidar o Reino que estava destinado a implantar, que no caso é o Reino Humano, cuja verdadeira instalação teve início na raça-raiz seguinte, a quarta, que foi a Raça Atlante. Assim, o ingresso de seres muito primitivos no Reino Humano já não seria considerado bom, de modo que a terceira raça-raiz constituiu o “Dia do Juízo” para o reino animal (cabe lembrar que o Reino Animal é o terceiro, daí o seu vínculo com a terceira raça-raiz), mas sobretudo para aqueles homens (ou iniciados) com excessivos vínculos com tal reino, capazes de competir com a nova mentalidade que se implantava, gerando um conflito entre xamanismo (com seu conhecido vínculo animal) e a verdadeira religiosidade humana (que é a do sacerdócio espiritual) em ascensão –como de fato aconteceu, posto que a grande crise cultural atlante teria passado por tais conflitos.

Neste momento, aquilo que até então era concebido como uma forma de religiosidade aceita, passou a ser designado como culto primitivo e magia negra. Os recalcitrantes que se negavam a adotar a nova forma religiosa (conectada ao coração, e não ao plexo solar), foram condenados a terem suas evoluções bloqueadas, tendo que aguardar num limbo até o retorno de um ciclo semelhante àquele em que estavam evoluindo, quiçá em algum globo futuro.
É indiscutível que a configuração deste Juízo do Reino Animal, ocorrido em meados desta IVª Ronda, também se confunde com o do seu Juízo central. Não obstante, à parte o evento especial do fechamento do portal evolutivo, teria havido ainda outro grande Juízo ao final da quarta raça-raiz, através da famoso Dilúvio universal. E por ter representado este um dos grandes juízos cíclicos, não se deve realmente esperar nada semelhante até o final desta Ronda –ou mesmo até a metade da Ronda seguinte. As profecias insistem em um futuro Juízo de fogo, por exemplo, comparável ao Juízo de água antes ocorrido. A segunda epístola de São Pedro chega a ser didática neste sentido:

“ (...) outrora existiram céus e terras estabelecidas na água pela palavra de Deus, e que por essas mesmas causas o mundo de então pereceu, submergido pela água. Ora, os céus e a terra de agora estão reservados pela mesma Palavra ao fogo, aguardando o dia do Julgamento e da destruição dos homens ímpios.” (II Pe 3, 5-7)

Neste caso, tal coisa poderá vir a constituir o efetivo Juízo do final desta Ronda, pois o elemento fogo é comumente característico da quarta etapa evolutiva. Este Juízo representará uma importante iniciação coletiva –na verdade, mais corretamente se falará então de iluminação grupal–, selecionando, através do umbral da Eternidade, os candidatos preparados a viver na luz da verdadeira condição humana, sob os auspícios reais da Hierarquia, assim como os seres predispostos a avançar adiante sobre esta condição.
O Dilúvio, ou o afundamento da Atlântida, traduz por sua vez a imagem psíquica característica dos Juízos centrais, representando o avanço do psiquismo sobre o restante da história mundial, até o final da Ronda, simbolizado então pela imagem do arco-íris que simboliza o novo pacto entre Deus e o homem. Desde então pode-se se dizer que as águas predominam sobre as terras em nosso planeta.

Alguns anais ocultistas afirmam que isto aconteceu há alguns milhões de anos; não obstante, esta é apenas a visão profana. Outras visões mais espirituais reduzem substancialmente as datas, como se observa na doutrina hindu do Manvantara, segundo o que demonstramos mais atrás. Um é o tempo da humanidade em sua própria esfera (e isolada das forças espirituais), outro é o tempo da humanidade regida pela Hierarquia espiritual –que é aliás a base do conceito das raças–, o que vem ocorrendo concretamente a partir da raça atlante. Consta que, na verdade, Shambala, a fonte emanante da Hierarquia, surgiu no planeta já na terceira raça-raiz (sendo por tal razão esta a primeira raça a entrar no registro real da ronda), atuando Shambala no decurso desta raça apenas nos planos sutis, segundo a idéia de que Sanat Kumara veio à Terra, com seus irmãos ou os “Senhores da Chama”, durante a cadeia venusiana de nosso planeta –e não que teriam vindo do planeta Vênus, segundo certa interpretação errônea originalmente divulgada. Com isto, o “tempo” adquiriu uma nova conotação -”relativística” como se diz hoje- sob as energias centralizantes de Shambala.

Na Ronda futura, será a vez do Reino Humano conhecer o seu “Dia” especial de Juízo, em termos definitivos. E isto acontecerá novamente não no início ou na metade da Ronda (a não ser acidentalmente), mas num momento especial particularmente relacionado ao ciclo humano, diante do Reino altamente espiritual que lhe sucederá e que representará o início dos esforços positivos da Vª Ronda. Isto se dará, pois, no equivalente à quarta raça-raiz futura, a qual será o grande “Dia do Juízo humano”.
Naquela Ronda, já não haverá raças humanas como as atuais, mas espirituais (empregando o Reino humano como base, é claro), embora estas apenas sejam contadas como tais a partir da quarta raça-raiz, sendo as anteriores vistas como etapas de transição. Antes disto, porém, haverá o mencionado juízo de fogo no final da IVª Ronda, pelo qual apenas os iluminados -homens ou mestres- poderão passar. Na Ronda vindoura, serão estes homens que sofrerão as provações de realmente se adequarem a um novo Reino evolutivo, o Reino Espiritual dos Seres de Sabedoria, com seu universo estruturado, centralizante e “astrológico”. Mas, nas provações, mesmo os iluminados serão peneirados: os anjos já caíram e voltarão a cair; como demonstra Genesis 6, eles foram a grande causa do Dilúvio atlante, e segundo o Apocalipse, 1/3 parte dos anjos cairão do céu. E certamente haverá, desta vez entre os humanos, um decadente e retrógrado fanatismo religioso, “fundamentalista” e irredutível, obstaculizando a difusão da Sabedoria e da Ordem universal (conectada à Alma, e não ao coração), agindo pretensamente em nome de Deus, mas na verdade já inteiramente contrário ao Deus de então.
Também se poderá indagar se o futuro advento de Shambala ocorrerá nos mesmos termos, ressalvando as diferenças. A resposta é a um só tempo positiva e negativa. Devemos observar que a chegada de Shambala foi um acontecimento planetário, ocorrida na metade (ou quarta ronda) da evolução de nosso planeta, o qual é ainda o quarto globo –e não se pode excluir o mesmo quanto ao Dilúvio. Assim, dois acontecimentos planetários se somam a quaisquer eventos meramente relacionados à dinâmica interna da ronda, ou seja: o caráter central desta ronda e o estrutura quaternária da Terra.

Quanto à data de início da Ronda seguinte, este é um tema relativo, porque depende do tipo de registro focalizado: tal como existem calendários que iniciam em diferentes partes do ano (solstício, equinócio, canícula, lunação, etc.), a leitura das rondas tampouco é uniforme; daí as concepções de “ronda interna” e “ronda externa”, por exemplo, sendo na verdade esta uma das questões que determinam a diferença conceitual entre o sistema solar esotérico e a ronda planetária.
Assim, de um lado podemos ver a nova Ronda como iniciada já desde um ou mesmo dois milênios atrás; a época de Jesus foi o começo de uma Ronda, como vimos, porque Peixes é o último signo do Zodíaco. Existe também a emanação da sub-raça-semente (ou a sexta sub-raça árya), que pode ser registrada como uma das fundações raciais.
De outro lado, podemos considerar faltar ainda estes mesmos períodos para a frente, isto é, em meados ou finais da Era de Aquário. Em Os Raios e as Iniciações de Alice A. Bailey, o Tibetano declara que a a sexta raça-raiz iniciará dentro de mil anos, e sabe-se que ao menos parte desta raça (a metade, pelo que consta) participará da IVª Ronda. Já outros calendários fazem começar a sexta-raça (ou o “sexto mundo”) neste ano de 2.012, ou mesmo alguns séculos antes ou depois.

E pode-se ainda julgar estar começando agora a nova Ronda. Se a Era de Leão representa um marco cósmico, Aquário, no seu oposto, também necessariamente há de ser. No mais, a natureza setenária de Aquário é conclusiva. No calendário humano, Aquário é regido pelo Saturno solar (o Janus futurista), renovador do tempo e regente da Idade de Ouro.
Seja como for, existirão ainda crises, mas também uma redenção final do planeta quando realmente chegar a Vª Ronda, pois esta representará a ultrapassagem da sempre crítica etapa quaternária. Tudo isto está presente nas profecias bíblicas, com detalhes no Apocalipse de São João, onde trata do Milênio sagrado, seguido por um período de crise, e depois pela decisiva vitória da luz. A Jerusalém celeste revelada é, entre outras coisas, uma imagem do Manvantara completo e novo, ou do ciclo cósmico em suas 144 subdivisões de 12 x 12 sub-ciclos, segundo a análise do calendário cósmico efetuada por Emma Costet de Mascheville (ver Revista Órion de Ciência Astrológica, n° 2). Também pode ser vista como o vastu-mandala (ou tabuleiro geográfico –ver Revista Órion de Ciência Astrológica, n° 8) no qual se aplicam e desenvolvem as respectivas energias cósmicas, base para a organização do espaço do Reino de Deus ou da Idade de Ouro, num local apropriado onde cada indivíduo poderá desenvolver um estilo de vida condizente com a sua natureza astrológica mais profunda.

Nos próximos Capítulos trataremos de analisar algo detidamente estas duas rondas em vista, a quarta que termina e a quinta que virá.


Da obra "Trikosmos"

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